segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nico na Coluna da Martha Medeiros de quinta passada

Amor e dor, mas com humor

No último final de semana, assisti ao show Onde Está o Amor?, de Nico Nicolaiewsky, no Theatro São Pedro, que estava merecidamente lotado. A maioria dos gaúchos só conhece o Nico por causa do vitalício Tangos e Tragédias, mas o trabalho dele vem de antes, do Musical Saracura, que eu curtia nos meus 20 anos de idade – sejam generosos comigo, não faz tanto tempo... Bom, esse show agora do Nico, além de composições próprias, traz algumas músicas do Saracura (“marcou bobeira/já era”... só quem viveu, lembra) e algumas releituras que são o ponto forte do espetáculo. Comida, dos Titãs, ganhou um arranjo dramático, reforçado pelo efeito que o diretor José Pedro Goulart conseguiu com a tela cobrindo toda a frente do palco, mostrando cenas de amor e dor em preto e branco – de matar o Gerald Thomas de inveja! A recriação de Ana Júlia, do Los Hermanos, é engraçada: no início a gente fica com aquela impressão de “onde é que eu já ouvi isso?” e quando entra o refrão, mistério desfeito. Uma pegadinha.

Ainda no quesito diversão, transformar Coração de Luto, do Teixeirinha, num rock metaleiro, fez a platéia inteira sorrir (no colégio, fui colega de aula de duas filhas do Teixeirinha, lembro delas e dos nomes, Gessy e Fátima – essa última era a cara do pai – alguém me dá notícias das duas?). Mas o mais impressionante é quando Nico, ao piano, toca uma música romântica, linda, lenta, de dilacerar corações, e aos poucos a gente percebe do que se trata e não acredita: Tô nem aí, da meteórica Luka, da qual nunca mais ouvi falar. Nessas horas é preciso tirar o chapéu: o que era uma musiquinha à-toa, chiclete pra ouvir no rádio durante um verão, virou uma balada sofisticada e elegante. A gente já viu o Caetano fazer o mesmo com música do Peninha: transformar o brega em chique, o chique em brega. Prova de que nada é definitivo, rótulos não se sustentam.

Bravo, Nico! Bravo, João Pedro! E menção especial pro violino do Hique Gomez, participação afetiva e luxuosa desse espetáculo redondo, moderno, versátil, emocionante e divertido, tudo isso em apenas uma hora e 15 minutos. Qualquer hora ele ressurge na grade da nossa programação cultural, fique de olho e não perca.