
O amor fofo, delicado e sério que brilha no Sul
Doze músicas e uma busca por um clima denso e ‘cool’
Mario Marques
O cara que há 20 anos, com acordeon em punho, diverte o Brasil inteiro com Hique Gomes e seu Tangos & Tragédias, faz uma declaração séria e hiper-romântica neste Onde está o amor. Com 12 canções autorais, o gaúcho Nico Nicolaiewsky brilha em todas as formas de construção de uma música: melodias, harmonias, arranjos e letras (ostensivamente fofas) funcionam.
Na faixa-título, Nicolaiewsky se supera.
Na faixa-título, Nicolaiewsky se supera.
O arranjo, de teclados e vocais à Björk, ressalta a delicadeza da canção, de letra mântrica e que se sustenta até o fim. É também nessa linha, como tintas de balada de ninar, Só você não vê (com Pezão), com um quê de Titãs acústico, dinâmica próxima também do conterrâneo Nei Lisboa. Este compositor, aliás, parece homenageado com a agoniante e sofrida Nada faz sentido, parceria com Totonho Villeroy. A música lembra escancaradamente Telhados de Paris, de violão simplório e letra matadora ("Nada faz sentido/se você não está comigo/volta pra mim/eu não quero ser só teu amigo/não me importo de correr perigo/volta pra mim").
Com Villeroy há também Bombas de beijo, outra viagem romântica bem delineada, melodia sinuosa, pop, de guitarra floydiana. O disco de Nico Nicolaiewsky segue até o último minuto nessa linha, sem atirar para todos os lados e percorrendo um caminho que muitos autores brasileiros perseguem, mas não conseguem.
[ 03/06/2008 ] 02:01
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