
por Mauren Motta
“Quando estou em casa, sinto muita falta da montanha. Quando estou na montanha, não sinto falta de nada”. É assim que o gaúcho Ricardo Baltazar Oliveira, mais conhecido como Rato, explica por telefone de cima de um “Boulder” na praia da Guarita em Torres, sua paixão pelo Montanhismo. Aos 14 anos de idade, o menino magrela que decidiu explorar sozinho os Canyons da Serra Geral, teve que se esforçar para ser um pouco mais sociável. Gostava tanto das paredes das montanhas e do isolamento, que chegou até a perder um ano de escola e ganhar o nada simpático apelido. Diferente da gurizada local, ele gostava mesmo era de testar seus limites, desafiar as alturas e ficar contemplando de cima o visual conquistado a cada escalada. Era tão feliz assim, que poderia viver por lá. Uma certa vez, graças a uma tempestade, chegou a passar duas semanas inteiras subsistindo - na boa - com um pouco de sal, água e um quilo de arroz em uma caverna dentro do Canyon. Passados os anos o garoto cresceu, acabou a escola, deixou a casa dos pais e foi em busca do seu queijo: mudou para Praia Grande - cidadezinha ao extremo sul de Santa Catarina que fica ao pé dos Aparados da Serra. O que era prazer acabou virando negócio. Ricardo Rato conheceu tão bem a região que virou guia. Hoje, como instrutor de Eco Turismo ele pode ser encontrado na companhia de pesquisadores ou turistas em aventuras de diferentes propósitos. Como Guia de Montanha, ironicamente acabou tendo que aprender a gostar de gente. O convívio forçado mostrou que um bom papo na fogueira regado a vinho sob o céu estrelado da montanha também pode ser tão interessante quanto a solidão. Só assim para o Rato sair da toca.
