segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Mauren Motta e Luciana Genro na Folha de São Paulo

07/09/2008 - 09h37
Luciana Genro muda cabelo e ganha novo guarda-roupa para a disputa em Porto Alegre
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GRACILIANO ROCHA, da Agência Folha, em Porto Alegre

Eleitoras interromperam duas vezes o almoço da deputada federal Luciana Genro (PSOL), 37, para elogiar o cabelo da candidata. Cenas como a ocorrida no Mercado Público de Porto Alegre, na quinta-feira, são cada vez mais comuns desde que a campanha para a prefeitura começou.
Após ganhar projeção nacional como dissidente petista e uma das críticas mais vociferantes ao governo Lula, Luciana tem se apresentado ao eleitor com um estilo bem mais suave.
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O cabelo encaracolado foi domesticado por uma escova que o deixou liso na raiz e cacheado nas pontas. Por semana, são três escovas antes de gravar para a TV ou antes de algum evento com mais pompa, como debates.
Luciana conta que, no início da campanha, resistiu a mexer no cabelo, mas acabou sendo convencida pelo argumento de que facilitaria o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas.
A principal responsável por burilar a imagem da candidata é a jornalista Mauren Motta, 37, que, após comandar programas de TV sobre moda e comportamento feminino, está agora à frente do programa do PSOL.
Mauren ajudou a candidata a aposentar a camiseta e a escolher o novo guarda-roupa da campanha --"dois ternos, três camisas, vestido e cinco blusinhas básicas", que custaram R$ 800.
No figurino, diz Mauren, o critério foi comprar peças que permitissem múltiplas combinações e "parassem de esconder a beleza dela". Luciana tem 1,70 m e pesa 60 quilos.
Luciana nega que tenha se descaracterizado. Segundo ela, a preocupação com o visual não veio nas eleições anteriores porque sempre disputou cargos legislativos, onde a exposição na campanha costuma ser menor. Tão perceptível quanto a nova aparência é o tom conciliador, agora adotado.
"A gente achou importante mostrar a personalidade como um todo, e não apenas uma faceta. Além de mostrar a mais conhecida, a que briga, mostramos a outra faceta, a que dialoga, a que negocia. Ninguém governa sem diálogo", afirma a candidata.
No escasso 1min52s de propaganda da TV, a imagem de conciliadora funde-se com propostas como o corte de 70% dos cargos de confiança da prefeitura e redução dos gastos de publicidade para investir em saúde e educação.
Os programas do PSOL também já mostraram cenas da vida familiar --como depoimentos afetuosos da mãe e do pai, o petista Tarso Genro (Justiça). Segundo Luciana, a exposição do "lado mais família" serviu para desmentir boatos de que divergências políticas azedaram sua relação com o pai.
"Meu pai não pode dizer isso, mas eu tenho convicção que ele vai votar em mim."